O alto-falante, o projeto, o armário e o resultado…
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Por conta de minha dedicação com caixas acústicas, incluindo esse site e minhas postagens nos mais diversos lugares acabo por receber um número muito grande e-mails, que tento a medida do possível responder com o pouco que sei…

Mas tem alguns e-mails, que de certa forma ocupam o mesmo grupo de questões e que invariavelmente entram em minha caixa postal mudando apenas o autor e se eu fosse replicar os mais comuns, seria algo assim:

“Arrumando o armário, me deparei com alguns alto-falantes e gostaria de “encaixar” estes em algum projeto bem sucedido…”

 

“Me passa as medidas?”

 

“Desmontei o som do carro e tenho alguns alto-falantes…”

 

“Comprei os MIDs no e-bay, são muito superiores aos nacionais e ainda me saíram mais em conta, me ajude a implementar no seu projeto?”

 

“Quero fazer as Sublimes ou as Baubos, mas quero usar uns alto-falantes que já tenho…”

 

“Não gosto de caixa com alto-falante de 6”, quero usar de 8” e o que preciso saber..”

 

“Tenho uma book muito legal, mas quero transformar em torre”

 

“Moro em outro estado, montei uma caixa e quero que me ajude a fazer o crossover”

 

“Tenho uma caixa vintage e quero fazer um upgrade nelas”

Por mais que eu tente ser político, não consigo imaginar outra resposta que: “Infelizmente, não sei como poderia lhe ajudar!”

A minha resposta aparente simples é apenas fruto do que sei em quanto de complexidade é necessário para se projetar uma caixa acústica de alto-desempenho, e vou tocar em alguns pontos:

Cada alto-falante tem um desempenho único, não tem como fornecer um projeto sem conhecer todos os detalhes. É fundamental que tenha todos os parâmetros T/S de cada componente. http://pt.wikipedia.org/wiki/Thiele/Small

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É recomendável ter ainda, curva de resposta e de impedância. Esses dados serão cruciais para tentar aplicar a ele as melhores condições para que possam render tudo que podem. Seja por meio de gabinetes adequados (TL, Selado, Bass Reflex, etc) definição de volume ou tipo de crossover usado, desde os tipos até as faixas aceitáveis para os respectivos cortes, atenuação, posição no gabinete, filtros passivos, etc, etc e etc…

Na maioria dos casos, é fundamental o meu acesso aos componentes já no gabinete para poder efetivar as medições e a partir desses resultados, desenvolver soluções para definição do projeto como um todo.

Em outras palavras não posso por exemplo fazer um crossover baseado apenas por fotos, modelos os especificações de alto-falantes contidas em seu manual.

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Outro ponto é de certa forma subjetivo, mas que eu considero muito importante. Para alguns, eu incluso, é muito melhor um ótimo projeto do que apenas bons componentes, então, um dos grandes erros consiste na compra muitas vezes de alguns “aclamados” e caros componentes, mas que sem o devido cuidado no projeto, viram verdadeiros micos nas mãos de seus donos e esses, muitas vezes não possuem uma explicação lógica para o resultado.




O que sempre falo é o seguinte, se como eu, adora a ideia de fazer sua caixa acústica, não desanime mas antes de tudo, devore tudo sobre o tema, leia muito e estude bastante.

Devore esse livro aqui The Loudspeaker Design Cookbook  que você pode comprar em sua versão traduzida no link abaixo.

http://loja.lojavirtualsegura.com.br/produto_2143_7521_livro_caixas_acusticas_e_alto-_falantes.loja

Independente da literatura e conhecimento, tente criar uma visão apurada do que espera fazer, do que tem como meta em relação aos custos e nunca comece algo, apenas por que “morre de vontade” em fazer, pois a vontade é crucial para um projeto de sucesso, mas ela sozinha costuma trazer resultados bem frustrantes.

Comece sempre por algo simples, pode até sonhar com aquela 3 vias muito grande e complexa, mas comece com uma duas vias pois terá simplicidade e os problemas poderão ser sanados sem as grandes dificuldades de uma caixa de 3 vias. Quem sabe um simples fullrange, que sempre pode surpreender.

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Não é lei, mas se puder tente desenvolver um subwoofer, no desenvolvimento deste já terá problemas que jamais poderia supor quando apenas pensava em fazer e no Brasil temos opções para todos os bolsos e isso pode se um ótimo passa-tempo inicial.

Muitos não consideram, mas a marcenaria tem um peso muito grande no resultado final, então, pense também no espaço, no tempo, nas ferramentas e por favor, jamais comece a fazer uma caixa sem que tudo já não esteja meticulosamente planejado e resolvido na prancheta.

Não esqueça também, que possivelmente estará lidando com ferramentas de altíssimas rotações e um erro, pode ser um dedo a menos… aqui, todo cuidado e atenção é FUNDAMENTAL!

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Tente, independente de quais componentes, projetar algo especifico para eles, só assim a chance de sucesso será maior, se isso for um problema, venda tudo e faça uma busca no Google por projetos completos bem sucedidos, siga a risca em cada detalhe que certamente lhe trará os resultados esperados…

Ao final deve gastar um pouco a mais, só que ao meu ver, melhor que gastar pouco e ficar decepcionado com o resultado. E se mesmo assim não for uma Brastemp, já terá conhecimento e experiência para quem sabe tentar vôos mais longos e certamente essa primeira experiência será de grande valia.

É importante refletir ainda o quanto já ouvimos falar sobre projetos mal sucedidos, um olhar mais atento na maioria dos casos costuma revelar o uso de componentes inadequados ou simplesmente foram mal projetados por falta de conhecimento ou ferramentas adequadas. E aí temos aquela situação curiosa, gastamos relativamente pouco para fazer algo, mas se ficou péssimo, esse pouco na verdade é uma fortuna para transformar em fogueira ou depósito de pó.

Certa vez fiz um subwoofer, com alto-falante nacional e um divertido amigo comentou:

“Caramba, imagine se fosse com importado”…

Essa é uma das frases que eu acho das mais infelizes no nosso meio, falei isso e justifiquei:

– Primeiro pelo lamentável preconceito com os componentes nacionais;

– Segundo, se eu usasse outro alto-falante, seria outro subwoofer e sendo outro, não caberia comparação;

– Ao meu ver, para ser no mínimo politicamente correto, ele poderia mencionar que teria um alto-falante reconhecidamente bom e que em um projeto bem cuidado poderia oferecer uma performance maravilhosa, mas não necessariamente superior, pois isso também pode ser muito relativo.

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Ele, que além de divertido é teimoso, muito insatisfeito com minha resposta, botou o tal aclamado alto-falante importado no referido gabinete e o resultado foi um verdadeiro desastre, hilário e até hoje tem que me aturar… hehehe

Resumindo, espero não lhe decepcionar, mas serei obrigado a terminar esse texto repetindo uma simples frase:

“Infelizmente, não sei como poderia lhe ajudar!”

Preciso passar também, que apesar de gostar muito o que faço, eu desenvolvo tudo forma artesanal e que  ainda tenho  muito a aprender e por isso nem sempre tenho as respostas, para todas as eventuais perguntas…

Ok, ok, ok,  se você é como o meu amigo e continua insatisfeito com esse meu texto, esqueça do que falei, bote o alto-falante em um gabinete bem montado, cruze todos os dedos e quem pode dar certo… se for o caso e torço por isso, aproveite o embalo pois a maré está de sorte e jogue logo em tudo que for loteria, mas por favor, só não gaste o suado dinheiro do próximo alto-falante… rs.. rs…

10 Responses

  1. Toni
    | Responder

    Grandes poderes levam a grandes responsabilidades meu caro Renato! hauahauhaua<br />Abraço, <br />Toni

  2. Anonymous
    | Responder

    Pode falar?<br /><br />Estudando meses e anos sobre Audio usando a logistica &quot;marron&quot; (de marromenos) cheguei finalmente a conclusão final, que é:<br />NÃO É UMA CIENCIA EXATA.<br />Dai que para as perguntas que incomodam ao Renato tenho respostas para graves e médios.<br />Tem 2 de 12 sobrando? Eu tinha e fiz o projeto mais louco que achei. Um bipolo aberto, com um faceando o outro em

  3. Anonymous
    | Responder

    alem de todas variaveis citadas ao fazer a caixa ainda temos que lembrar que caixas, alto falantes e etc tem um casamento especifico com a eletronica que vai ser utilizada o que tambem vai influenciar no resultado final pra melhor ou pior isso tudo ainda sem levar em conta o gosto pessoal do &quot;audiofilo&quot; ou seja audio de qualidade é algo muitissimo complexo o DIY na verdade é mais

  4. Anonymous
    | Responder

    Barriguinha!<br />Pô Renato,mas aceito sua resposta,hehe<br />Abração

  5. Mateus Machado
    | Responder

    Você fala a pura verdade em seu texto. Obrigado pelos excelentes projetos, dedicação e sinceridade.<br /><br />Atenciosamente,<br />Mateus

  6. Renato
    | Responder

    Valeu!!!!

  7. Giovani
    | Responder

    Boa noite Renato. O q posso fazer para melhorar as caixas torre Sony Muteki DDW 1000, q utilizo num Receiver Gradiente Esotech AV 5.1? Abço

    • Renato Lira
      | Responder

      Infelizmente não sei como poderia te ajudar, fica complicado sem medir, ouvir e ter um conhecimento pleno do que isso representa.

  8. Guilherme stefenon
    | Responder

    Kkkkkkkk mandei um semana passada perguntando sobre isso….. mandei ver nas baubo com um 3 vias…. ainda não montei mas agora não tem volta !!

    • Renato Lira
      | Responder

      Te desejo sorte! 🙂

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